LIBRAS

 A comunidade surda brasileira tem travado uma importante luta junto ao Ministério da Educação (MEC) em busca da efetivação de uma política pública voltada ao ensino bilíngue Libras/Língua Portuguesa. Essa proposta educacional visa atender às necessidades específicas dos estudantes surdos, garantindo-lhes o direito a uma educação de qualidade que respeite sua identidade linguística e cultural. O ensino bilíngue se caracteriza por adotar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua (L1) e a Língua Portuguesa como segunda língua (L2), assegurando o desenvolvimento integral do aluno surdo tanto na comunicação quanto na inserção social e acadêmica. De acordo com Neves (2020), o ensino bilíngue para surdos deve considerar as implicações do aprendizado da Língua Portuguesa como L2, levando em conta fatores como motivação e exposição à língua alvo.

Entre as principais características do ensino bilíngue, destaca-se a valorização da Libras como meio de instrução e interação escolar, promovendo o protagonismo da comunidade surda. Essa abordagem requer profissionais capacitados, especialmente professores fluentes em Libras e intérpretes, além da oferta de materiais didáticos acessíveis. A proposta também implica a criação de ambientes escolares inclusivos, com estratégias pedagógicas que respeitem o tempo e a forma de aprendizagem dos estudantes surdos. Como destaca Almeida (2018), a formação dos docentes e o uso de metodologias adequadas são essenciais para garantir um ensino de qualidade e promover a inclusão dos alunos surdos.

O processo de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa como L2 apresenta especificidades, pois, para o aluno surdo, essa língua é aprendida prioritariamente na modalidade escrita. Portanto, é necessário um trabalho didático diferenciado que leve em consideração as dificuldades de aquisição de estruturas gramaticais, vocabulário e textualidade. Os professores devem utilizar recursos visuais, tecnologia assistiva e metodologias que favoreçam a compreensão leitora e a produção textual dos alunos surdos. Segundo Oliveira (2019), o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para surdos exige um planejamento pedagógico especializado, que respeite as particularidades linguísticas desse público e favoreça o desenvolvimento da competência escrita.

Assim, a educação bilíngue se mostra fundamental para o desenvolvimento acadêmico e social do estudante surdo, respeitando sua singularidade linguística e cultural, ao mesmo tempo em que contribui para sua inclusão em uma sociedade mais justa e equitativa.

 

Referencias

ALMEIDA, Wolney Gomes (org.). Educação de surdos: formação, estratégias e prática docente. São Paulo: Editora X, 2018. Disponível em: https://books.scielo.org/id/m6fcj. Acesso em: 23 abr. 2025.

NEVES, Bruna Crescêncio. Educação bilíngue para surdos e as implicações para o aprendizado da língua portuguesa como segunda língua. Brasília: Editora Y, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/182740. Acesso em: 23 abr. 2025.

OLIVEIRA, Ednei Nunes de. Português como L2: o ensino da disciplina no curso de Letras Libras da UFGD. Campo Grande: Editora Z, 2019. Disponível em: https://www.periodicos.capes.gov.br/index.php/acervo/buscador.html?task=detalhes&id=W2791992957. Acesso em: 23 abr. 2025.

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